“Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação”.
- Qual sua concepção de viver diretamente algo?
Temo que a resposta encontre a ambigüidade e o distanciamento do real significado, provocado por um esquecimento intencional do sentido real do conceito. Por mais verossímil que seja nossa percepção do mundo, creio que está a ser deturpada por um processo que se relaciona com o Espetáculo, a inversão concreta da vida, algo que escapa de qualquer concepção ideológica por não existir como algo verificável, porém, em sua constante re-criação de si mesmo, exige uma aceitação passiva e tende a diluir qualquer comportamento hostil à práxis espetaculoísta.
A aparente ineficácia dos meios de resistência ao espetacular se dá pelo movimento autônomo deste processo que é ao mesmo tempo o projeto e o resultado do modo de produção existente, “É o reflexo fiel da produção das coisas, e a sua objetivação infiel dos produtores.”¹
Guy Debord apresenta uma concepção materializada do processo global que tem seu início na segunda metade do século XX, e reverbera suas conseqüências nas sociedades contemporâneas. Uma obra cada vez mais relacionada à práxis a ser investigada na contemporaneidade.
O labirinto Kafkiano na literatura de Franz Kafka são situações onde o ser encontra-se oprimido em demasia por seu meio social e as regras mutáveis de seu sistema, como na realidade na qual vivemos que tende a unificação global, que após pseudo-reunir em sua aldeia global, tende a criar cisões dentre sua pseudo-unidade.
O que há de se fazer perante o opressor onipresente? É um rio no qual a intensidade de sua correnteza é controlada externamente, ao longo do sentido contrário a seu fluxo, encontram-se os meios para o conhecimento, quaisquer tentativas de obter-lo resultam certamente em uma dissipação de seu conteúdo, tendendo a confusão e a supressão pelo fluxo massivo, porém a plena consciência da existência do espetacular como controlador de tal processo é um grande avanço rumo a sua dissolução.
DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
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