A imagem digital

A fotografia abrange conceitos de diversas áreas, entre elas: comunicação, física, química e a mais pura matemática, além de fornecer reflexões na psicologia e na filosofia. A crescente banalização da fotografia pelo motivo da fácil acessibilidade de uma câmera digital é um fenômeno tecnológico que tenho percebido desde que comecei a estudar fotografia, câmeras cada vez mais compactas presentes na maioria dos celulares e utensílios digitais, sem contar as multifuncionais ao estilo Tekpix que mais parecem canivetes suíços tecnológicos. Pretendo iniciar uma reflexão sobre a atual concepção do ato fotográfico e seu produto concebida pelo público comum, abordando também o conceito de realidades virtuais e manipulação de imagens.

O sonho do ser humano de registrar fielmente o mundo como ele o vê permaneceu durante muitos milênios apenas como uma tentativa. Um sonho que foi alcançado através do esforço de muitos cientistas e artistas, o poder do registro da luz. Que atualmente foi rebaixado a “mais um recurso de comunicação social”. Sob esta perspectiva o valor da fotografia se tornou descartável. Pessoas produzem milhares de fotos com objetivo de selecionarem os melhores ângulos de suas vidas, descartando o restante, para logo em seguida publicarem em seus blogs, fotologs, orkuts aquelas imagens que transmitam a imagem social desejada. Um recorte do mundo real é transmitido ao mundo virtual que acaba refletindo no mundo real, nas relações sociais. Haverá vida no Cyberespaço ou apenas sua projeção? A verdade parece ser aquela em que as duas realidades estão em constante contato, atritando e gerando seu produto primário: Realidades virtuais.

Realidades distorcidas por diversos recursos, um deles é a manipulação de imagem, um recurso da tecnologia que oferece a possibilidade de criar imagens, ou transformar imagens cruas. Trabalhei 4 anos em empresas que oferecem serviços digitais (antigas reveladoras), locais muito procurados por pessoas interessadas nestes novos recursos, e que desejam distorcer suas imagens para também distorcer a interpretação de quem observa o resultado da manipulação. Há um grande susto no uso deste termo, se tratando por exemplo da remoção de alguma pessoa da fotografia por motivos de injúria pessoal, aliás este é um dos recursos mais procurados pelo público, não apenas o público que tem acesso à alta tecnologia, mas também o público comum que ainda cultiva um fetiche sobre o valor único da fotografia.

Sob uma perspectiva otimista a fotografia, ou a arte de escrever com luz está cada vez mais restrita àqueles que a admiram em sua essência. Para o público comum, precisamos modificar o conceito de fotografia para “apenas mais um periférico do computador”, e nos adaptemos (nós, fotógrafos) a esta nova realidade, e através dela usufruir de seu potencial comunicativo e divulgar cada vez mais a arte envolvida no registro químico, ou eletrônico da luz.

Texto e fotos por Hans Denis

O caminho

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