Malabares por Raul
Esta semana estava caminhando pela Beira-Mar Norte, quando avistei meu amigo Raul apresentando seu malabares flamejante durante o tempo do sinal vermelho. Conheci Raul há alguns anos durante seu trabalho em uma sinaleira ao lado da pista de Skate da Trindade, trabalha com malabares a mais de dez anos, e já passou por alguns países vizinhos como Argentina e Uruguai. Raul é um dos únicos que persiste na arte de rua em Florianópolis.
Fábio Júnior de Azevedo Bastos - Raul Seixas
Realiza exibições em praças festas eventos, raves, casamentos…etc.
-H: Raul me conte um pouco do seu trabalho como malabarista aqui em Florianópolis, como era quando apareceram os primeiros malabaristas de rua.
No começo da pratica do malabares em Florianópolis era muito bom, porque era diferente e muitas pessoas apreciavam, porém ao decorrer dos anos foi sendo desvalorizada, porque começaram a aparecer pessoas que precisavam de dinheiro, e utilizavam a imagem do artista de rua, este tipo de pessoa não tem o trato fino com o público, o tratamento de artista que o público merece, são pessoas agressivas, que se não ganham dinheiro ofendem as pessoas, este tipo de atitude ao decorrer dos anos foi queimando o filme do malabares, antigamente você era visto como artista, hoje em dia é visto como um pedinte ou mendigo.
H- Como é a repressão de órgãos como Polícia Militar, SUSP e assistentes sociais.
A lei que eles utilizam para nos impedir de trabalhar é uma lei para vendedores ambulantes, mais agente não está vendendo nada, e isso é um abuso de poder por parte deles, eu tento conversar, mais não tem assunto, eles tomam nossos instrumentos, temos que pagar multa para recuperar nossas próprias coisas, mais de certa forma isto é uma resposta da sociedade contra aqueles falsos artistas, que se sente insultada e maltratada por este povo, por isso que tem esta repressão da SUSP e da polícia militar, até se vê que não tem mais gente trabalhando no sinal(somente Raul persiste).
H- Em suas vagens a outros países você pode constatar uma melhor valorização da arte de rua?
Não precisa nem ir tão longe, se fores a São Paulo tu veras que é bem mais valorizado do que aqui, isto é uma realidade local, a cultura de Floripa se passa dentro do shopping, ali tem cultura, agora quando se sai na rua o cultural é mendigo ta ligado, não tem, não rola, eles não dão valor. Se um malabarista dentro de um shopping fizer propaganda de uma loja, ele vai ser valorizado, elogiado, agora o mesmo malabarista na rua, já não terá o mesmo valor.
H- Considerações finais:
Aproveito a janela que você me abre para dizer às pessoas que nem todos os malabaristas são o que parece ser, melhores palavras para entender isto, eu tenho duas filhas e sustento elas com malabarismo, e agradeço a todas as pessoas que colaboram com meu trabalho, e no finas das contas, todo brasileiro tem um pouco de malabarista dentro de si, então não vamos deixar de ser solidários com o próximo.
H- Não só a arte de rua como também o Skate de rua é marginalizado nesta cidade, as palavras de Raul me fizeram refletir sobre esta cultura florianópolitana medíocre de Shopping e consumismo, é ridículo passar tardes dentro de uma atmosfera artificial, estando em uma cidade envolta por natureza exuberante e paisagens estonteantes, ao menos enquanto conseguirmos impedir o sistema de construir mais Shoppings sobre o manguezal.
Por: Hans Denis
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